domingo, 6 de julho de 2014

ALGUMAS REVISTAS CIENTÍFICAS DE EDUCAÇÃO FÍSICA

Para publicações na área da Educação Física, segue abaixo uma lista das principais revistas brasileiras:

Revista Movimento

Revista Accion Motriz
Revista Brasileiro de Ciências do Esporte
http://www.rbceonline.org.br/revista/index.php/RBCE
Motriz. Revista de Educação Física. UNESP
http://cecemca.rc.unesp.br/ojs/index.php/motriz/issue/view/760
CONEXÕES: Revista da Faculdade de Educação Física da UNICAMP
http://polaris.bc.unicamp.br/seer/fef/archive.php
Lecturas: Educación Física y Deportes
Revista Digital
http://www.efdeportes.com/
Revista Mackenzie de Educação Física e Esporte
http://www.mackenzie.br/remef.html
Revista Baiana de Educação Física
http://www.revbef.c om.br/A%20revista.htm
Revista Brasileira de Ciência e Movimento
http://portalrevistas.ucb.br/index.php/RBCM
Arquivos em Movimento
http://www.eefd.ufrj.br/revista
Revista Paulista de Educação Física
http://www.usp.br/eef/rpef/sumarios.htm
REVISTA BRASILEIRA DE EDUCAÇÃO FÍSICA E ESPORTE
http://www.usp.br/eef/rbefe_biblioteca.php
Revista ADAL - Professores Educação Física – Espanha
Revista EPS - França
Revista Apunts - INEFC – Espanha

Outras revistas podem ser encontradas aqui: CEV REVISTAS ou no site da CAPES – Qualis Revistas ou em bases de dados CAPES Periódicos ou MEDLine – PubMED ouXarxa TDX

sábado, 5 de julho de 2014

I SEMINÁRIO INTERNACIONAL SOCIEDADE E CULTURA NA PANAMAZÔNIA - EDITAL

I SEMINÁRIO INTERNACIONAL SOCIEDADE E CULTURA NA 
PANAMAZÔNIA 
Interdisciplinaridade, Desafios e Perspectivas 


Saiu o EDITAL PARA SUBMISSÃO DE PROPOSTAS DE MESAS-REDONDAS E GRUPOS DE TRABALHO  a ser realizado de 14 a 17 de outubro de 2014, no Campus da Universidade Federal do Amazonas – ICHL/UFAM, em Manaus. 

O envio de proposta de atividade ou trabalho deverá ser feito através do e-mail do I Seminário: seminario.ppgsa@gmail.com

Principais Prazos para Composição da Programação Científica 


Mais informações, baixe o edital na página do evento! Obrigada!

Para maiores informações contatar a Comissão Acadêmica por meio do endereço eletrônico: seminario.ppgsa@gmail.com

http://media.wix.com/ugd/a9e1e2_53998f94d5414d6eb88d1faf64ebd330.pdf


sexta-feira, 20 de junho de 2014

I SEMINÁRIO INTERNACIONAL SOCIEDADE E CULTURA NA PANAMAZÔNIA



Data de realização: 14 a 17 de outubro de 2014

Confira em breve as novidades!


Acesse: http://www.seminarioscp.com.br/

segunda-feira, 28 de abril de 2014

Olá Pessoal!
Esta é minha primeira postagem no blog, espero superar esta barreira e junto com vocês também compartilhar os meus entendimentos. Até o momento não me sentia segura o suficiente de blogar, mas, tudo é um começo!
Antes de tudo, gostaria de agradecer aos professores pelas valiosas informações e principalmente a Professora Dra. Elenise com a proposta de nos fazer entender o desenrolar das ciências e seus pensadores, o que contribuirá para desmistificar a nossa metodologia, entre o sujeito e objeto.
Bem, sobre o texto passado "Um Discurso Sobre as Ciências", percebe-se o longo atraso das ciências sociais em relação às ciências naturais e evidente também que os pensadores da época do século XVI enveredaram os seus estudos para o lado paradigmática das ciências naturais, buscando sempre um pré-paradigma nos entendimentos dos conflitos sociais e humanos:
“Nagel tenta demonstrar que a oposição entre as ciências sociais e as ciências naturais não é tão linear quanto se julga e que, na medida em que há diferenças, elas são superáveis ou negligenciáveis. Reconhece, no entanto, que a superação dos obstáculos nem sempre é fácil e que essa é a razão principal do atraso das ciências sociais em relação às ciências naturais (p.21)".
"Thomas Kuhn o atraso das ciências sociais é dado pelo caráter pré-paradigmático destas ciências, ao contrário das ciências naturais, essas sim paradigmáticas (p. 21).
"Nas ciências sociais não há consenso paradigmático", pois as ciências sociais são subjetivas, compreende as atitudes mentais e os sentidos conferidos nas ações humanas, logo, não poderá ser explicado ou entendido com base somente em características exteriores e objetivas. Daí a crise do Paradigma dominante e a necessidade de um Paradigma Emergente.


domingo, 27 de abril de 2014

Pontos destacados da leitura do texto: Um Discurso sobre as Ciências de Boaventura


    O livro Um Discurso sobre as Ciências, do professor universitário de Coimbra, e influente sociólogo, Boaventura de Sousa Santos, disserta sobre as ciências. Logo no início escreve: Desde o século XVI, onde todos nós, cientistas modernos, nascemos, e cita, depois, os grandes cientistas que estabeleceram e mapearam o campo teórico: Adam Smith, Ricardo, Lavoisier, Darwin, Marx, Durkheim, Max Weber, Pareto, Humboldt, Planck e Poincaré. Tentarei mostrar mais adiante por que, entre os citados, Max Weber, Ricardo Pareto, Marx Durkheim, não devem ser colocados entre os cientistas, sem que isso diminua a sua estatura e influência intelectuais, é claro. Isso será mais evidente quando lembrarmos de que se ocupa a ciência.

  • Quando olhamos para o passado, a primeira imagem é talvez a de que os progressos científicos dos últimos trinta anos são de tal ordem dramáticos que os séculos que nos precederam não são mais que uma pré-história longínqua. (p.5)
  • É possível dizer que em termos científicos vivemos ainda no século XIX e que o século XX ainda não começou, nem talvez comece antes de terminar. (p.5-6)
  • O autor faz uma espécie de (digamos assim) "metáfora" em relação à teoria sinérgica do físico teórico Hermann Haken para  tratar a ambiguidade e a complexidade da situação do tempo presente, um tempo de transição .
  • Tempos de transição, assim como outros anteriores, nos quais se faz "necessário voltar às coisas simples, à capacidade de formular perguntas simples, perguntas que, como Einstein costumava dizer, só uma criança pode fazer mas que, depois de feitas, são capazes de trazer uma luz nova à nossa perplexidade". (p.6)
  • Em 1985 (ano em que este texto foi escrito), sentia-se a perplexidade de perder a confiança epistemológica.
  • Estamos de novo regressados à necessidade de perguntar pelas relações entre a ciência e a virtude. Temos finalmente que perguntar pelo papel de todo o conhecimento científico acumulado no enriquecimento ou no empobrecimento prático das nossas vidas, ou seja, pelo contributo positivo ou negativo da ciência para a nossa felicidade.
  • Estamos no fim de um ciclo de hegemonia de uma certa ordem científica.
  • Teremos que ser mais rousseauianos no perguntar do que no responder

O PARADIGMA DOMINANTE
  • A nova racionalidade científica, sendo um modelo global, é também um modelo totalitário, na medida em que nega o caráter racional a todas as formas de conhecimento que se não pautarem pelos seus princípios epistemológicos e pelas suas regras metodológicas. (p.11). Simboliza a ruptura do novo paradigma científico com os que o precedem.
  • os protagonistas do novo paradigma conduzem uma luta apaixonada contra todas as formas de dogmatismo e de autoridade.
  • esta nova visão do mundo e da vida reconduz-se a duas distinções fundamentais, entre o conhecimento científico e o conhecimento do senso comum, por um lado, e entre natureza e pessoa humana, por outro.
  • o conhecimento científico avança pela observação descomprometida e livre, sistemática e tanto quanto possível rigorosa dos fenômenos naturais (p.13).
  • As leis da ciência moderna são um tipo de causa formal que privilegia o como funciona das coisas em detrimento de qual o agente ou qual o fim das coisas. É por esta via que o conhecimento científico rompe com o conhecimento do senso comum.
  • Um conhecimento baseado na formulação de leis tem como pressuposto metateórico a ideia de ordem e de estabilidade do mundo, ideia de que o passado se repete no futuro. (p.17)
  • Bacon, Visco e Montesquieu são os grandes precursores da descoberta das leis da sociedade.
  • Há duas formas de conhecimento científico - as disciplinas formais da lógica e da matemática e as ciências empíricas segundo o modelo mecanicista das ciências naturais - as ciências sociais nascerem para ser empíricas.
  • As ciências sociais tem um longo caminho a percorrer no sentido de se compatibilizarem com os critérios de cientificidade das ciências naturais. Os obstáculos são enormes nas não são insuperáveis: as ciências sociais não dispõem de teorias explicativas que lhes permitam abstrair do real para depois buscar nele, de modo metodologicamente controlado, a prova adequada; as ciências sociais não podem estabelecer leis universais porque os fenômenos sociais são historicamente condicionados e culturalmente determinados; as ciências sociais não podem produzir previsões fiáveis porque os seres humanos modificam o seu comportamento em função do conhecimento que sobre ele adquire; os fenômenos sociais são de natureza subjetiva; as ciências sociais não são objetivas porque o cientista social não pode libertar-se, no ato da observação, dos valores que informam a sua prática em geral e, portanto, também a sua prática de cientista. (p.20)
  • Na teoria das revoluções científicas de Thomas Kuhn o atraso das ciências sociais é dado pelo caráter pré-paradigmático destas ciências, ao contrários das ciências naturais, sessas sim, paradigmáticas.
  • A ciência social sempre será uma ciência subjetiva e não objetiva como as ciências naturais.

A CRISE DO PARADIGMA DOMINANTE
  • São hoje muitos e fortes os sinais de que o modelo de racionalidade científica atravessa uma profunda crise.
  • A crise do paradigma dominante é o resultado interativo de uma pluralidade de condições (condições sociais e condições teóricas).
  • Condições teóricas: 
    1. Einstein constitui o primeiro rombo no paradigma da ciência moderna (relatividade da simultaneidade).
    2. a mecânica quântica.
    3. o rigor da matemática
    4. avanços do conhecimento nos domínios da microfísica, da química e da biologia nos últimos vinte anos.
  • Não é arriscado dizer que nunca houve tantos cientistas-filósofos como atualmente, e isso não se deve a uma evolução arbitrária do interesse intelectual.
  • O rigor científico, porque fundado no rigor matemático, é um rigor que quantifica e que, ao quantificar, desqualifica, um rigor que, ao objetivar os fenômenos, os objetualiza e os degrada, que ao caracterizar os fenômenos, os caricaturiza.
  • Quaisquer que sejam os limites estruturais de rigor científico, não restam dúvidas que o que a ciência ganhou em rigor nos últimos quarenta anos perdeu em capacidade de auto-regulação.
  • A caracterização da crise do paradigma dominante traz consigo o perfil do paradigma emergente.



SANTOS, Boaventura Sousa. Um Discurso sobre as Ciências. Porto, Edições Afrontamento,1995, 7ª edição, p.5-35.


Vídeo Boaventura Santos


Boaventura de Souza Santos

Boaventura de Sousa Santos é Professor Catedrático Jubilado da Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra e Distinguished Legal Scholar da Faculdade de Direito da Universidade de Wisconsin-Madison e Global Legal Scholar da Universidade de Warwick. É igualmente Director do Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra ; Coordenador Científico do Observatório Permanente da Justiça Portuguesa .


Dirige actualmente o projecto de investigação ALICE - Espelhos estranhos, lições imprevistas: definindo para a Europa um novo modo de partilhar as experiências o mundo , um projeto financiado pelo Conselho Europeu de Investigação (ERC), um dos mais prestigiados e competitivos financiamentos internacionais para a investigação científica de excelência em espaço europeu. 


É co-coordenador científico dos Programas de Doutoramento:

Foi também co-fundador do programa de doutoramento Direito, Justiça e Cidadania no Século XXI 
Tem trabalhos publicados sobre globalização, sociologia do direito, epistemologia, democracia e direitos humanos. Os seus trabalhos encontram-se traduzidos em espanhol, inglês, italiano, francês, alemão e chinês.

PRÉMIOS

2012 - Doutor Honoris Causa pela Universidade de Brasília.
2012 - Doutor Honoris Causa pela Faculdade de Direito da Universidade McGill, Montréal, Canada.
2012 - Distinção "Sócrates", pela Faculdade de Direito da Universidad de los Andes, Bogotá, Colômbia.
2011 - Harry J. Kalven Jr. 2011, pela Law and Society Association.
2010 - Prémio México de Ciência e Tecnologia 2010, atribuído pela Presidência da República do México. Discurso de Boaventura de Sousa Santos na cerimónia de entrega do prémio, na Cidade do México, no dia 14 de Janeiro de 2011

2010 - "Acéssit" do Prémio da Fundación Xavier de Salas, Espanha.
2010 - Menção honrosa do Prémio Libertador ao Pensamento Crítico - 2009, Venezuela.
2009 - Gran-Cruz da Ordem do Mérito Cultural de 2009, atribuído pelo Governo da República Federativa do Brasil.
2009 - Prémio Adam Podgórecki, atribuído pela Associação Internacional de Sociologia.
2007 - Menção honrosa do Prémio Libertador ao Pensamento Crítico - 2006, Venezuela.
2006 - Prémio de Ensaio Ezequiel Martínez Estrada 2006, da Casa de las Américas, Cuba.
2005 - Prémio “Reconocimiento al Mérito”, concedido pela Universidade Veracruzana, México.
2004 - Prémio Euclides da Cunha da União Brasileira de Escritores do Rio de Janeiro.
2001 - Prémio JABUTI (Brasil) - Área de Ciências Humanas e Educação.
1998 - Prémio Bordalo da Imprensa - Ciências 1997.
1996 - Prémio Gulbenkian de Ciência 1996.
1996 - Grande Oficial da Ordem de Rio Branco, concedido pelo Presidente da República Federativa do Brasil.
1996 - Título de Cidadão Paulistano, concedido pela Câmara Municipal de São Paulo, Brasil.
1996 - Grande Oficial da Ordem Militar de Sant'iago de Espada, concedido pelo Presidente da República.
1994 - Prémio Pen Club Português 1994 (Ensaio).
 

LIVROS

AUTORPortuguês- Se Deus fosse um ativista dos direitos humanos. Coimbra: Editora Almedina, 2013.
- Se Deus fosse um ativista dos direitos humanos. 
São Paulo: Cortez Editora, 2013.
- Pela mão de Alice. O social e o político na pós-modernidade - 
9ª edição, revista e aumentada. Coimbra: Almedina, 2013. Também publicado no Brasil, pela Editora Cortez (14ª edição, revista e aumentada).
- A cor do tempo quando foge - vol. 2. 
Coimbra: Almedina, 2012.
- Portugal. Ensaio contra a autoflagelação. Coimbra: Almedina, 2011. Também publicado no Brasil, pela Editora Cortez. Segunda edição aumentada, em 2012.
Para uma revolução democrática da justiça. São Paulo: Editora Cortez, 2007.
- Poderá o direito ser emancipatório? Vitória: Faculdade de Direito e Fundação Boiteux, 2007.
Renovar a teoria crítica e reinventar a emancipação social. São Paulo: Boitempo Editorial, 2007.
A gramática do tempo. Para uma nova cultura política. Porto: Afrontamento, 2006. Também publicado no Brasil, São Paulo: Editora Cortez, 2006 (2ª edição).
Fórum Social Mundial: Manual de Uso. São Paulo: Cortez Editora. Também publicado em Portugal, Porto: Afrontamento, 2005.
A Universidade no Séc. XXI: Para uma Reforma Democrática e Emancipatória da Universidade. São Paulo: Cortez Editora, 2004 (3ª edição).
Democracia e Participação: O Caso do Orçamento Participativo de Porto Alegre. Porto: Afrontamento, 2002.
A Cor do Tempo Quando Foge. Porto: Afrontamento, 2001.
A Crítica da Razão Indolente: Contra o Desperdício da Experiência. Porto: Afrontamento, 2000 (2ª edição). Também publicado no Brasil, São Paulo: Editora Cortez, 2000 (7ª edição).
Reinventar a democracia. Lisboa, Gradiva (2ª edição), 1998.
Pela Mão de Alice: O Social e o Político na Pós-Modernidade, Porto: Afrontamento, (8ª edição). Prémio Pen Club Português 1994 (Ensaio). Também publicado no Brasil, São Paulo: Editora Cortez, 1995 (12ª edição).
Estado e Sociedade em Portugal (1974-1988)Porto: Afrontamento, 1990 (3ª edição).
Introdução a uma Ciência Pós-Moderna. Porto: Afrontamento, 1989 (6ª edição). Também publicado no Brasil, São Paulo: Graal (3ª edição);
Um Discurso sobre as Ciências. Porto, Afrontamento, 1988 (15ª edição); Também publicado no Brasil, São Paulo: Editora Cortez, 2003 (7ª edição em 2010).
InglêsThe Rise of the Global LeftThe World Social Forum and Beyond. Londres: Zed Books, 2006.
Toward a New Legal Common SenseLaw, globalization, and emancipation. Londres: Butterworths, 2002.
Toward a New Common Sense: Law, Science and Politics in the Paradigmatic Transition. Nova Iorque: Routledge, 1995.
Espanhol
Si Dios fuese un activista de los derechos humanos. Madrid: Editorial Trotta, 2014.
Descolonizar el saber, reinventar el poder. Chile: LOM Ediciones, 2013.
De las dualidades a las ecologías. La Paz: REMTE-Red Boliviana de Mujeres Transformando la Economía, 2012.
Para descolonizar el occidente. Más allá del pensamiento abismal
San Cristobal de las Casas, Chiapas: Editorial Cideci Unitierra, 2011.
- Derecho y emancipación. 
Quito: Corte Constitucional para el Período de Transición, 2011.
Refundación del Estado en América Latina. Perspectivas desde una epistemología del Sur. Lima: Instituto Internacional de Derecho y Sociedad; Programa Democracia y Transformación Global. Também publicado na Venezuela, pelas Ediciones IVIC - Instituto Venezuelano de Investigaciones Cientificas, na Bolívia por Plural Editores; na Colômbia, por Siglo del Hombre Editores, 2010, y na Argentina pela Editorial Antropofagia, 2010.
Descolonizar el saber, reinventar el poder. Montevideo: Ediciones Trilce, 2010.
La universidad en el siglo XXI. Para una reforma democrática y emancipatoria de la universidad. Montevideo: Ediciones Trilce, 2010.
Sociología Jurídica Crítica. Para un nuevo sentido común en el derecho. Madrid: Editorial Trotta, 2009. Também publicado na Argentina por ILSA.
Una Epistemologia del Sur. La reinvención del Conocimiento y la Emancipación Social. Buenos Aires: Siglo XXI Editores, CLACSO, 2009.
-  Pensar el Estado y la sociedad: desafíos actuales. La Paz: CLACSO, CIDES-UMSA, Muela del Diablo Editores, Comuna, 2008. Também publicado por CLACSO Ediciones, Waldhuter Editores, 2009.
La universidad en el siglo XXI. Para una reforma democrática y emancipatória de la universidad. La Paz: Plural Editores, 2007.
La reinvención del Estado y el Estado plurinacional. Santa Cruz de la Sierra: CENDA, CEJIS, CEDIB, Bolivia, 2007.
Conocer desde el Sur. Para una cultura política emancipatória. Lima: Fondo Editorial de la Facultad de Ciencias Sociales de la Universidad Mayor de San Marcos, 2006. Também publicado na Bolivia, por Plural Editores, 2008; Santiago de Chile: Editorial Universidad Bolivariana, 2008.
Renovar la teoría crítica y reinventar la emancipación social (Encuentros en Buenos Aires). Buenos Aires: Consejo Latinoamericano de Ciencias Sociales – CLACSO, 2006.
La universidad popular del siglo XXI. Buenos Aires: Miño y Dávila, LPP-Laboratorio de Políticas Públicas, 2005; Também publicado no México, Cidade de México: Universidad Nacional Autónoma de México, Centro de Investigaciones Interdisciplinares en Ciencias y Humanidades, 2005; Lima: Fondo Editorial de la Facultad de Ciencias Sociales de la Universidad Mayor de San Marcos, 2006.
El milenio huérfano. Ensayos para una nueva cultura política. Madrid: Trotta, 2005.
Reinventar la Democracia. Reinventar el Estado. Buenos Aires: CLACSO; Também publicado em Cuba, Havana: Editorial José Martí, 2005.
Foro Social Mundial. Manual de Uso. Barcelona: Icaria, 2005.
Un discurs sobre les ciènces. Introducció a una ciència postmoderna. Valência: Denes Editorial, Centro de Recursos i Educació Contínua, 2003.
La caída del Angelus Novus: ensayos para una nueva teoría social y una nueva práctica política. Bogotá: Instituto Latinoamericano de Servicios Legales Alternativos: Universidad Nacional de Colombia, 2003.
Democracia y participación. El ejemplo del presupuesto participativo de Porto Alegre. Mataró: El Viejo Topo, 2003. Também publicado no Ecuador, Quito: Abya-Yala, 2004.
Crítica de la Razón Indolente. Contra el desperdicio de la experiencia. Bilbao: Editora Desclée de Brouwer, 2000.
- Reinventar la democracia. Reinventar el Estado. Madrid: Sequitur, 1999. Também publicado no Equador, Quito: Abya-Yala, 2004; em Cuba, Havana: Editorial José Martí, 2005; na Argentina, Buenos Aires: CLACSO
De la mano de Alicia. Lo Social y lo político en la postmodernidad. Bogotá: Siglo del Hombre Editores e Universidad de los Andes, 1998.
La globalización del derecho: los nuevos caminos de la regulación y la emancipación. Bogotá: ILSA, Ediciones Universidad Nacional de Colombia, 1998.
Estado, Derecho y Luchas Sociales. Bogotá: ILSA, 1991.

FrancêsVers un Nouveau Sens Commun Juridique. Droit, Science et Politique dans la Transition Paradigmatique. Paris: Librairie Général de Droit et Jurisprudence, 2004.

ItalianoDiritto ed emancipazione sociale. Troina: EdCittà Aperta Edizioni, 2008.
Il Forum Sociale Mondiale: Verso una globalizzazione antiegemonica. Troina: EdCittà Aperta Edizioni, 2003.

 ORGANIZADOR OU CO-ORGANIZADORPortuguês- (Com Marilena Chaui) Direitos humanos, democracia e desenvolvimento.  São Paulo: Cortez Editora, 2013.
- (Com José Octávio Serra Van-Dúnem) Sociedade e Estado em construção: desafios do direito e da democracia em Angola. Luanda e justiça: pluralismo jurídico numa sociedade em transformação - Vol. I. Coimbra: Almedina, 2012.
- (Com Ana Cristina Santos, Madalena Duarte, Carlos Barradas e Magda Alves) Cometi um crime? Representações sobre a (i)legalidade do aborto. Porto: Edições Afrontamento, 2010.
- (Organizador com Maria Paula Meneses), Epistemologias do Sul. Coimbra: Edições Almedina, 2009. Também publicado no Brasil, pela Editora Cortez, 2010.
- (Com Conceição Gomes, Madalena Duarte e Maria Ioannis Baganha) Tráfico de Mulheres em Portugal para fins de exploração sexual. Lisboa: Comissão para a Cidadania e Igualdade de Género, 2009.
- (Com Naomar de Almeida Filho), A universidade no século XXI. Para uma universidade nova. Coimbra: Edições, Almedina, 2008.
- (Org.) As vozes do mundo. Porto: Afrontamento, 2008. Também publicado no Brasil, Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2009.
- (Org.) Trabalhar o mundo: os caminhos do novo internacionalismo operário. Porto: Afrontamento. Também publicado no Brasil, Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2005.
- (Org.) Semear outras soluções: os caminhos da biodiversidade e dos conhecimentos rivais. Porto: Afrontamento. Também publicado no Brasil, Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2005.
- (Com Teresa Cruz e Silva), Moçambique e a Reinvenção da Emancipação Social. Maputo: Centro de Formação Jurídica e Judiciária, 2004.
- (Com João Carlos Trindade) Conflito e transformação social: uma paisagem das justiças em Moçambique. Porto: Afrontamento, 2003.
- (Org.) Reconhecer para libertar: os caminhos do cosmopolitismo multicultural. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2003; Também publicado em Portugal, Porto: Edições Afrontamento, 2004.
- (Org.) Conhecimento prudente para uma vida decente: Um discurso sobre as ciências revisitado. Porto: Edições Afrontamento, 2003; Também publicado no Brasil, São Paulo: Editora Cortez, 2004 (2ª edição em 2006).
- (Org.) Produzir para viver: os caminhos da produção não capitalista. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2002; Também publicado em Portugal, Porto: Edições Afrontamento, 2003.
- (Org.) Democratizar a democracia: os caminhos da democracia participativa. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2002; Também publicado em Portugal, Porto: Edições Afrontamento, 2003.
- (Org.) Globalização: Fatalidade ou Utopia? Porto: Afrontamento, 2001 (3ª edição em 2005). Também publicado no Brasil, São Paulo: Editora Cortez (2ª edição).
- (Com Conceição Gomes) Macau: O Pequeníssimo Dragão. Porto: Afrontamento, 1998.
- (Com Maria Bento, Maldonado Gonelha, Alfredo Bruto da Costa) Uma visão solidária da reforma da Segurança Social. União das Mutualidades Portuguesas, Centro de Estudos Sociais, 1998.
- (Com Maria Manuela Cruzeiro e Maria Natércia Coimbra) O Pulsar da Revolução: Cronologia da Revolução de 25 de Abril (1973-1976). Centro de Documentação 25 de Abril da Universidade de Coimbra. Porto: Afrontamento, 1997 (2ª edição).
- (Com Maria Manuel Leitão Marques, João Pedroso e Pedro Lopes Ferreira) Os Tribunais nas Sociedades Contemporâneas: O Caso Português. Porto: Afrontamento, 1996 (2ª edição); Prémio Gulbenkian de Ciência 1996.
- (Org.) Portugal — Um Retrato Singular. Porto: Afrontamento, 1993 (2ª edição).

Inglês- (Org.) Voices of the World. Londres: Verso, 2010.
- (Org.) Another Knowledge is Possible. Beyond Northern Epistemologies. Londres: Verso, 2007.
- (Org.) Cognitive Justice in a Global World: Prudent Knowledge for a Decent Life. Lanham: Lexington, 2007.
- (Org.) Another Production is Possible. Beyond the Capitalist Canon. Londres: Verso, 2006.
Law and Justice in a Multicultural Society. The Case of Mozambique (Com João Carlos Trindade e Maria Paula Meneses). Dakar: CODESRIA, 2006.
- (Org.) Democratizing Democracy. Beyond the Liberal Democratic Canon. Londres: Verso, 2005.
Law and Globalization from Below. Towards a Cosmopolitan Legality (Com César Rodríguez-Garavito), Cambridge: Cambridge UP, 2005.
- Reinventing Democracy. Grassroots Movements in Portugal (Com João Arriscado Nunes). London: Routledge, 2005.
Globalizing Institutions: Case Studies in Regulation and Innovation (Com Jane Jenson). Aldershot: Ashgate, 2000.

Espanhol- (Org. com José Luis Exeni) Justicia Indígena, Plurinacionalidad e Interculturalidad en Bolivia. Quito: Ediciones Abya Yala y Fundación Rosa Luxemburg, 2012.
- (Org. com Agustin Grijalva) Justicia Indígena, Plurinacionalidad e Interculturalidad en Ecuador. Quito: Ediciones Abya Yala y Fundación Rosa Luxemburg, 2012.
(Org.) Producir para vivir. Los caminos de la producción no capitalista. México: Fondo de Cultura Económica, 2011.
El derecho y la globalización desde abajo. Hacia una legalidad cosmopolita (Com César Rodríguez-Garavito). Barcelona: Anthropos e Universidad Autónoma Metropolitana, Unidad Cuajimalpa, Mexico, 2007.
Emancipación Social y violencia en Colombia. (Com Mauricio García Villegas). Bogotá: Grupo Editorial Norma, 2004.
- (Org.) Democratizar la democracia: los caminos de la democracia participativa. México: Fondo de Cultura Económica, 2004.
El Caleidoscopio de las Justicias en Colombia (Com Mauricio García Villegas). Bogotá: Ediciones Uniandes, Siglo del Hombre, 2001.

Italiano- (Org.) Produrre per vivere. Le vie della produzione non capitalista. Troina: Città Aperta Edizioni, 2005.
- (Org.) Democratizzare la democracia. I percorsi della Democrazia Partecipativa. Troina: Città Aperta Edizioni, 2003.
 

Pontos destacados do texto: O problema do conhecimento

1. Racionalismo e empirismo


  • A Idade Moderna inverte o polo de atenção, centralizando no sujeito a questão do conhecimento.
  • Há dois polos no processo do conhecimento: o sujeito cognoscente (que é o sujeito que conhece) e o objeto conhecido. Assim, o conhecimento é uma dualidade de sujeito e objeto expressa numa relação.
  • Se o pensamento que o sujeito tem do objeto concorda com o objeto, dá-se o conhecimento.

O Racionalismo cartesiano
  • René Descartes (1596-1650) é considerado o "pai da filosofia moderna". 
  • O Discurso do método e Meditações metafísicas são suas obras que expressam a tendência de preocupação com o problema do conhecimento.
  • o ponto de partida é a busca de uma verdade primeira que não possa ser posta em dúvida.
  • Converte a dúvida em método.
  • Duvidar de tudo!

"COGITO, ERGO SUM"
"PENSO, LOGO EXISTO".
  • constrói o racionalismo, dando prioridade do sujeito sobre o objeto.
  • tendência forte e absoluta de valorização da razão, do entendimento, do intelecto.
  • Consequências do cogito: estabelece-se o caráter originário do cogito; acentua-se o caráter absoluto e universal da razão; o dualismo psicofísico (ou dicotomia corpo-consciência).
  • estabelece-se dois domínios diferentes: o corpo (objeto de estudo da ciência) e a mente (objeto apenas da reflexão filosófica).

O Empirismo Inglês
Ao contrário do racionalismo, enfatiza o papel da experiência sensível no processo do conhecimento
  • Francis Bacon (1561-1626)
  • Interesse pelo método da ciência.
  • Critica a lógica aristotélica, opondo ao ideal dedutivista a eficiência da indução, como método de descoberta.
  • Inicia pela denúncia dos preconceitos e noções falsas que dificultam a apreensão da realidade, aos quais chama de ídolos (ídolos da tribo, ídolos da caverna, ídolos do foro, ídolos do teatro).
  • Desenvolve um estudo pormenorizado da indução a partir do caráter estéril do silogismo e insiste na necessidade da experiência e da investigação segundo métodos precisos.

  • John Locke (1631-1704) - contribuiu como teórico do liberalismo.
  • sua reflexão a respeito da teoria do conhecimento parte da leitura de Descartes e consiste em saber "qual é a essência, qual a origem, qual o alcance do conhecimento humano".
  • Na obra Ensaio sobre o entendimento humano, Locke deixa o caminho "lógico" percorrido por Descartes e escolhe o "psicológico".
  • Distingue duas fontes possíveis para nossas ideias: a sensação e a reflexão.
  • o que ocasiona a produção de uma ideia simples na mente é a "qualidade" do objeto. Há qualidades primárias (solidez, extensão, configuração, movimento, número - são objetivas) e qualidades secundárias (cor, som, odor, sabor - variam de sujeito para sujeito - relativas e subjetivas).
  • Ideias simples são atadas e desatadas através da análise, produzindo ideias complexas.
  • Enquanto Descartes enfatiza o papel do sujeito, Locke enfatiza o papel do objeto.
  • Afirma que a alma é um tábula rasa.

Conclusão:
  • Exagerando: racionalismo é o sistema que consiste em limitar o homem ao âmbito da razão e o empirismo é o que o limita ao âmbito da experiência sensível. Isso não quer dizer que o racionalismo exclua a experiência sensível, mas esta é apenas a ocasião do conhecimento e está sujeita a enganos.


2. Criticismo kantiano

O Iluminismo
  • o Século XVIII é conhecido como Iluminismo, Século das Luzes, Ilustração ou Aufklärung.
  • trata-se do otimismo no poder da razão de reorganizar o mundo humano.
  • "filha emancipada do cartesianismo, a filosofia do Iluminismo deve a Descartes - e a Malebranche - o gosto do raciocínio, a busca da evidência intelectual, e sobretudo a audácia de exercer livremente seu juízo e de levar a toda parte o espírito da dúvida metódica.
  • Uma natureza dessacralizada, desvinculada da religião, reaparece em todos os campos de discussão do homem no século XVIII.
  • Na política - são elaboradas as teorias contratualistas, segundo as quais a sociedade resulta do pacto entre indivíduos.
  • Na economia - são preconizadas as leis naturais de distribuição de riquezas.
  • Procura-se a naturalização da moral.
  • A religião natural surge contra todos os dogmas e fanatismo.
  • Dá-se o fortalecimento do sistema capitalista como modo de produção predominante - Revolução Industrial.
  • Representantes do Iluminismo
          - Na Inglaterra: Newton e Reid, herdeiros de Locke e Hume.
          - Na França: Montesquieu, Voltaire, Rousseau.
          - Na Alemanha: Wolff, Lessing e Baum-Garten. Mas foi Kant o filósofo por excelência desse período.


O criticismo kantiano
  • Immanuel Kant (1724-1804)
  • Preocupado com a confusão conceitual a respeito do debate acerca da natureza do nosso conhecimento.
  • Questiona se é possível uma "razão pura" independente da experiência.
  • Pretende superar a dicotomia racionalismo-empirismo.
  • Condena os empiristas (tudo que conhecemos vem dos sentidos) e, da mesma forma, não concorda com os racionalistas (é errado julgar que tudo quanto pensamos vem de nós).
  • Nosso conhecimento é constituído de matéria (são as próprias coisas) e forma (somos nós mesmos).
  • O conhecimento é constituído pela forma a priori do espírito e pela matéria fornecida pela experiência sensível.
  • Pela análise da moralidade, Kant deduz a liberdade humana, a imortalidade da alma e a existência de Deus.
  • O pensamento kantiano é conhecido como idealismo transcendental (aquilo que é anterior a toda experiência)
A filosofia pós-kantiana (séc. XIX)
  • materialistas (Feuerbach) e os positivistas (Comte): reduzem o trabalho da filosofia à mera síntese dos resultados das diversas ciências particulares, não cabendo ao filósofo teorizar sobre "ideias sem conteúdo".
  • idealistas (Fich, Schelling e Hegel): levam até às últimas consequências a capacidade que Kant atribuía à razão de impor formas a priori ao conteúdo dado pela experiência.

ARANHA, M.L. de Arruda e MARTINS, M. H. Pires. Filosofando - introdução à filosofia. São Paulo - SP: Ed. Moderna, 1986.
 

sexta-feira, 25 de abril de 2014

Boaventura de Sousa Santos



Boaventura de Sousa Santos

Um pouco sobre o autor:

Nascido em Coimbra em 15 de novembro de 1940.  Com 33 anos torna-se doutor em Sociologia do Direito por de Yale.  
Diretor de várias instituições como do Centro de Estudos Sociais da Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra, do Centro de Documentação 25 de Abril da Universidade de Coimbra, da Revista Crítica de Ciências Sociais. Boaventura lecionou em diversas universidades entre elas Coimbra (Faculdade de Economia), Universidade de Wisconsin-Madison como professor-visitante, London School of Economics, da Universidade de São Paulo e da Universidad de Los Andes.

Participa da coordenação científica dos seguintes Programas de Doutoramento:
- Direito, Justiça e Cidadania no Século XXI
- Democracia no Século XXI
- Pós-Colonialismos e Cidadania Global
Dirige as seguintes coleções:
  • Saber imaginar o social
  • A sociedade Portuguesa perante os desafios da globalização
  • Reinventar a emancipação social: para novos manifestos
É internacionalmente reconhecido como um intelectual importante da área de ciências sociais e tem especial popularidade no Brasil, onde participou do Fórum Social Mundial em porto Alegre. Seus textos procuram enfatizar o desenvolvimento de uma Sociologia das Emergências contrapondo-se a uma "Sociologia das Ausências". A herança contratualista é bem marcada em suas obras e seus textos se remetem à organização de contratos sociais que sejam verdadeiramente capazes de representar valores universais.

                                   Boaventura de Sousa Santos no 6°Fórum Mundial de Juízes.
                                   Porto Alegre - 2010.



Fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Boaventura_de_Sousa_Santos , http://fisikola.blogspot.com.br

quinta-feira, 24 de abril de 2014

Raul Seixas - Maluco Beleza

Enquanto você
Se esforça pra ser
Um sujeito normal
E fazer tudo igual
Eu do meu lado
Aprendendo a ser louco
Um maluco total
Na loucura real
Controlando
A minha maluquez
Misturada
Com minha lucidez
Vou ficar
Ficar com certeza
Maluco beleza
Eu vou ficar
Ficar com certeza
Maluco beleza
E esse caminho
Que eu mesmo escolhi
É tão fácil seguir
Por não ter onde ir
Controlando
A minha maluquez
Misturada
Com minha lucidez
Eeeeeeeeuu!
Controlando
A minha maluquez
Misturada
Com minha lucidez
Vou ficar
Ficar com certeza
Maluco beleza
Eu vou ficar
Ficar com certeza
Maluco beleza
Eu vou ficar
Ficar com toda certeza
Maluco, maluco beleza

terça-feira, 22 de abril de 2014

Louco, eu?

A visão da medicina e da sociedade sobre pacientes mentais evoluiu muito nos últimos anos. Mas uma pergunta continua sem resposta: qual é a linha que separa a lucidez da loucura?

por Bárbara Soalheiro

David Rosenhan resolveu fingir-se de louco. Em 1972, ele se dirigiu a um hospital psiquiátrico americano alegando escutar vozes que lhe diziam as palavras “oco” “vazio” e o som “tum-tum”. Essa foi a única mentira que contou. De resto, comportou-se de maneira calma e respondeu a perguntas sobre sua vida e seus relacionamentos sem mentir uma única vez sequer. Outros oito voluntários sãos fizeram a mesma coisa, em instituições diferentes. Todos, exceto um, foram diagnosticados com esquizofrenia e internados.

Assim que foram admitidos, os pacientes passaram a agir normalmente. Observavam a tudo e faziam anotações em suas cadernetas. No começo, as anotações eram feitas longe do olhar dos funcionários, mas logo eles perceberam que não havia necessidade de discrição. Médicos e enfermeiros passavam pouquíssimo tempo com os pacientes e nem ao menos respondiam às perguntas mais simples. “Apesar de seu show público de sanidade, nenhum deles foi reconhecido”, escreveu Rosenhan no artigo On Being Sane in Insane Places (“Sobre Ser São em Locais Insanos”), publicado na conceituada revista Science, em janeiro de 1973. Ironicamente, os pacientes reais duvidavam com freqüência da condição dos novos colegas. “Você não é louco. Você é um jornalista ou um professor checando o hospital”, disseram diversas vezes.

Os pacientes estavam certos. Rosenhan era mesmo um acadêmico e sua internação, assim como a dos outros voluntários, era parte de um estudo pioneiro para avaliar a capacidade médica de diagnosticar distúrbios mentais. Hoje, ele é professor emérito das Faculdades de Psicologia e Direito da Universidade de Stanford.

Os falsos pacientes foram mantidos nos hospitais por períodos que variaram de 7 a 52 dias. Foram medicados (assim como boa parte dos internados reais, eles escondiam as pílulas sob a língua e as jogavam fora quando já não estavam mais na presença dos funcionários) e liberados com o diagnóstico de “esquizofrenia em remissão”, uma expressão médica usada para dizer que o paciente está livre dos sintomas.

Já de volta à sua identidade real, os pesquisadores requisitaram os arquivos sobre suas estadas nos hospitais. Em nenhum dos documentos havia qualquer menção à desconfiança de que estivessem mentindo ou que aparentassem não ser esquizofrênicos. A conclusão que David Rosenhan escreveu para o estudo desconcertou a psiquiatria americana. “Agora sabemos que somos incapazes de distinguir a insanidade da sanidade.”

http://super.abril.com.br/saude/louco-eu-445561.shtml 

segunda-feira, 21 de abril de 2014

Loucura e Literatura II - Lima Barreto

Afonso Henriques de Lima Barreto nasceu em 1881 na cidade do Rio de Janeiro. Enfrentou o preconceito por ser mestiço durante a vida. Ficou órfão aos sete anos de idade de mãe e, algum tempo depois, seu pai foi trabalhar como almoxarife em um asilo de loucos chamado Colônia de Alienados da Ilha do Governador.

Concluiu o curso secundário na Escola Politécnica, contudo, teve que abandonar a faculdade de Engenharia, pois seu pai havia sido internado, vítima de loucura, e o autor foi obrigado a arcar com as despesas de casa.

Como leu bastante após a conclusão do segundo grau, sua produção textual era de excelente qualidade, foi então que iniciou sua atividade como jornalista, sendo colaborador da imprensa. Contribuiu para as principais revistas de sua época: Brás Cubas, Fon-Fon, Careta, etc. No entanto, o que o sustentava era o emprego como escrevente na Secretaria de Guerra, onde aposentaria em 1918.

Não foi reconhecido na literatura de sua época, apenas após sua morte. Viveu uma vida boêmia, solitária e entregue à bebida. Quando tornou-se alcoólatra, foi internado duas vezes na Colônia de Alienados na Praia Vermelha, em razão das alucinações que sofria durante seus estados de embriaguez.

Lima Barreto fez de suas experiências pessoais canais de temáticas para seus livros. Em seus livros denunciou a desigualdade social, como em Clara dos Anjos; o racismo sofrido pelos negros e mestiços e também as decisões políticas quanto à Primeira República. Além disso, revelou seus sentimentos quanto ao que sofreu durante suas internações no Hospício Nacional em seu livro O cemitério dos vivos.

Sua principal obra foi Triste fim de Policarpo Quaresma, no qual relata a vida de um funcionário público, nacionalista fanático, representado pela figura de Policarpo Quaresma. Dentre os desejos absurdos desta personagem está o de resolver os problemas do país e o de oficializar o tupi como língua brasileira.

Vejamos um trecho de Triste fim de Policarpo Quaresma:

(...)

“Demais, Senhores Congressistas, o tupi-guarani, língua originalíssima, aglutinante, é verdade, mas a que o polissintetismo dá múltiplas feições de riqueza, é a única capaz de traduzir as nossas belezas, de pôr-nos em relação com a nossa natureza e adaptar-se perfeitamente aos nossos órgãos vocais e cerebrais, por sua criação de povos que aqui viveram e ainda vivem, portanto possuidores da organização fisiológica e psicológica pare que tendemos, evitando-se dessa forma as estéreis controvérsias gramaticais, oriundas de uma difícil adaptação de um língua de outra região à nossa organização cerebral e ao nosso aparelho vocal – controvérsias que tanto empecem o progresso da nossa cultura literária, científica e filosófica.”

(...)

Lima Barreto faleceu no primeiro dia do mês de novembro de 1922, vítima de ataque cardíaco, em razão do alcoolismo.

http://www.brasilescola.com/literatura/lima-barreto-1.htm