1. Racionalismo e empirismo
- A Idade Moderna inverte o polo de atenção, centralizando no sujeito a questão do conhecimento.
- Há dois polos no processo do conhecimento: o sujeito cognoscente (que é o sujeito que conhece) e o objeto conhecido. Assim, o conhecimento é uma dualidade de sujeito e objeto expressa numa relação.
- Se o pensamento que o sujeito tem do objeto concorda com o objeto, dá-se o conhecimento.
O Racionalismo cartesiano
- René Descartes (1596-1650) é considerado o "pai da filosofia moderna".
- O Discurso do método e Meditações metafísicas são suas obras que expressam a tendência de preocupação com o problema do conhecimento.
- o ponto de partida é a busca de uma verdade primeira que não possa ser posta em dúvida.
- Converte a dúvida em método.
- Duvidar de tudo!
"COGITO, ERGO SUM"
"PENSO, LOGO EXISTO".
- constrói o racionalismo, dando prioridade do sujeito sobre o objeto.
- tendência forte e absoluta de valorização da razão, do entendimento, do intelecto.
- Consequências do cogito: estabelece-se o caráter originário do cogito; acentua-se o caráter absoluto e universal da razão; o dualismo psicofísico (ou dicotomia corpo-consciência).
- estabelece-se dois domínios diferentes: o corpo (objeto de estudo da ciência) e a mente (objeto apenas da reflexão filosófica).
O Empirismo Inglês
Ao contrário do racionalismo, enfatiza o papel da experiência sensível no processo do conhecimento
- Francis Bacon (1561-1626)
- Interesse pelo método da ciência.
- Critica a lógica aristotélica, opondo ao ideal dedutivista a eficiência da indução, como método de descoberta.
- Inicia pela denúncia dos preconceitos e noções falsas que dificultam a apreensão da realidade, aos quais chama de ídolos (ídolos da tribo, ídolos da caverna, ídolos do foro, ídolos do teatro).
- Desenvolve um estudo pormenorizado da indução a partir do caráter estéril do silogismo e insiste na necessidade da experiência e da investigação segundo métodos precisos.
- John Locke (1631-1704) - contribuiu como teórico do liberalismo.
- sua reflexão a respeito da teoria do conhecimento parte da leitura de Descartes e consiste em saber "qual é a essência, qual a origem, qual o alcance do conhecimento humano".
- Na obra Ensaio sobre o entendimento humano, Locke deixa o caminho "lógico" percorrido por Descartes e escolhe o "psicológico".
- Distingue duas fontes possíveis para nossas ideias: a sensação e a reflexão.
- o que ocasiona a produção de uma ideia simples na mente é a "qualidade" do objeto. Há qualidades primárias (solidez, extensão, configuração, movimento, número - são objetivas) e qualidades secundárias (cor, som, odor, sabor - variam de sujeito para sujeito - relativas e subjetivas).
- Ideias simples são atadas e desatadas através da análise, produzindo ideias complexas.
- Enquanto Descartes enfatiza o papel do sujeito, Locke enfatiza o papel do objeto.
- Afirma que a alma é um tábula rasa.
Conclusão:
- Exagerando: racionalismo é o sistema que consiste em limitar o homem ao âmbito da razão e o empirismo é o que o limita ao âmbito da experiência sensível. Isso não quer dizer que o racionalismo exclua a experiência sensível, mas esta é apenas a ocasião do conhecimento e está sujeita a enganos.
2. Criticismo kantiano
O Iluminismo
- o Século XVIII é conhecido como Iluminismo, Século das Luzes, Ilustração ou Aufklärung.
- trata-se do otimismo no poder da razão de reorganizar o mundo humano.
- "filha emancipada do cartesianismo, a filosofia do Iluminismo deve a Descartes - e a Malebranche - o gosto do raciocínio, a busca da evidência intelectual, e sobretudo a audácia de exercer livremente seu juízo e de levar a toda parte o espírito da dúvida metódica.
- Uma natureza dessacralizada, desvinculada da religião, reaparece em todos os campos de discussão do homem no século XVIII.
- Na política - são elaboradas as teorias contratualistas, segundo as quais a sociedade resulta do pacto entre indivíduos.
- Na economia - são preconizadas as leis naturais de distribuição de riquezas.
- Procura-se a naturalização da moral.
- A religião natural surge contra todos os dogmas e fanatismo.
- Dá-se o fortalecimento do sistema capitalista como modo de produção predominante - Revolução Industrial.
- Representantes do Iluminismo
- Na França: Montesquieu, Voltaire, Rousseau.
- Na Alemanha: Wolff, Lessing e Baum-Garten. Mas foi Kant o filósofo por excelência desse período.
O criticismo kantiano
- Immanuel Kant (1724-1804)
- Preocupado com a confusão conceitual a respeito do debate acerca da natureza do nosso conhecimento.
- Questiona se é possível uma "razão pura" independente da experiência.
- Pretende superar a dicotomia racionalismo-empirismo.
- Condena os empiristas (tudo que conhecemos vem dos sentidos) e, da mesma forma, não concorda com os racionalistas (é errado julgar que tudo quanto pensamos vem de nós).
- Nosso conhecimento é constituído de matéria (são as próprias coisas) e forma (somos nós mesmos).
- O conhecimento é constituído pela forma a priori do espírito e pela matéria fornecida pela experiência sensível.
- Pela análise da moralidade, Kant deduz a liberdade humana, a imortalidade da alma e a existência de Deus.
- O pensamento kantiano é conhecido como idealismo transcendental (aquilo que é anterior a toda experiência)
A filosofia pós-kantiana (séc. XIX)
- materialistas (Feuerbach) e os positivistas (Comte): reduzem o trabalho da filosofia à mera síntese dos resultados das diversas ciências particulares, não cabendo ao filósofo teorizar sobre "ideias sem conteúdo".
- idealistas (Fich, Schelling e Hegel): levam até às últimas consequências a capacidade que Kant atribuía à razão de impor formas a priori ao conteúdo dado pela experiência.
ARANHA, M.L. de Arruda e MARTINS, M. H. Pires. Filosofando - introdução à filosofia. São Paulo - SP: Ed. Moderna, 1986.
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