sábado, 19 de abril de 2014

Descrição das formas de consciência da loucura

http://upload.wikimedia.org/wikipedia/en/5/52/Foucault5.jpg
DESCRIÇÃO DAS FORMAS DE CONSCIÊNCIA DA LOUCURA

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1.    Consciência crítica : poderia também ser denominada "consciência dialética”, ou se quiser­mos, talvez consciência denunciativa ou irônica. Aqui, a loucura é experimentada através de seu confronto opositivo com a razão; delimita-se a loucura pela diferença entre loucura e razão inclui um debate porque a oposição é ambígua e é também um conflito; e é um conflito por ser reversível (daí, ser esta consciência "dialética").

   Embora saibamos que há diferença entre razão e loucura, nada nos garante, nenhum referencial nos determina, nenhum "ponto fixo" (4, p. 182) nos assegura de que lado está a razão e de que lado está a loucura. É a "lucidez irônica" (4, p . 1 83 ) da consciência crítica.

   Uma ilustração deste conflito da reversibilidade nascida da ausência de um parâmetro é fornecida por Foucault: nos versos de um poeta: "aqueles que para viajar embarcam sobre as águas, vêem passar a terra, não a embarcação“ . Ou nos seguintes: "tanto mais me burilo e me aperfeiçoo, tanto mais creio que todo mundo desvaria"

2.Consciência Prática. Poderia também ser denominada "cisão ritual" (4, p . 1 87 ) , ou se quisermos, talvez consciência normativa ou social. Aqui, a loucura é experimentada como uma realidade imposta pelas normas de um grupo social.

   A oposição agora se estabelece entre o "dentro" e o "fora" do grupo, dependentemente dos padrões e valores, não diretamente da razão, mas do grupo, que este pretende ditar as normas da razão.

   Torna-se baseada "na diferença entre loucura e razão, consciência tornada possível na. homogeneidade do grupo considerado como portador das normas da razão" (4, p. 1 83)

3. Consciência Enunciativa. Poderia também ser denominada "reconhecimento lírico" (4, p. 1 87) , ou se quisermos, talvez consciência indicativa ou constatativa. Aqui, a loucura é experimentada antes de qualquer juízo ou diagnóstico, antes de qualquer nível de valores (racionais ou grupais); ela é reconhecida como um ser que está aí e que é de imediato constatado, quase que apontado com um gesto, na existência concreta do louco.

   Contudo, esta simples percepção também não é tranqüila. Supõe, de algum modo, um recuo em relação à loucura, uma certa dominação sobre ela, já que só se a reconhece se houver certo reconhecimento anterior da não-loucura.

4. Consciência Analítica: Poderia também ser denominada "saber" da loucura (4, p. 1 87) , ou se quisermos, talvez consciência reflexiva ou cognitiva. É a consciência da loucura nas "suas formas", "seus fenômenos", seus "modos de aparição" (4, p. 1 85 )

   Aqui se busca perceber a loucura no que nela é cognoscível, reduzindo-a ao que nela é inteligível, sem o "perigo", sem a "cisão", sem o "recuo" inclusos nas formas anteriores. :e: a forma de consciência que "funda a possibilidade de um saber objetivo da loucura" (4, p. 1 85)

Esta forma, cada vez mais "racionalizada", tem prioridade na Idade Moderna. Contudo, vale lembrar que mesmo reduzida à uma objetivação inteligível e racional, a loucura guarda ainda seu fundo "patético", seu "dramático", que escapa à "objetividade" do cognoscível.

    O "fascínio do trágico", subsiste mesmo na obscuridade, como que "nas noites dos pensamentos e dos sonhos“ 




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