Supõe também como virtualidade sempre presente no seu horizonte, uma cisão prática (2a. forma) em que o grupo confirma e reforça seus valores pela conjuração da loucura.
No entanto, solidárias, estas quatro formas guardam, cada qual sua autonomia, seus traços particulares. A primeira ("consciência crítica") abarca "uma região da linguagem" onde se confrontam os opostos (por ex., "sentido e não-sentido", verdade e erro"). A segunda ("consciência prática") abarca a região silenciosa, não dita, mas prática, dos ritos, do gesto separador. A terceira ("consciência enunciativa") abarca a região do reconhecimento. A quarta ("consciência analítica") abarca a região do conhecimento. Foucault traça, nesta "Introdução", um esboço em três momentos: Renascimento, Idade Clássica e Idade Moderna.
O Renascimento (por volta dos séculos XV a XVII) caracterizou-se sobretudo pelo privilégio da "consciência crítica" ou "dialética" da loucura (1a . forma) ;
A Idade Moderna (por volta dos séculos XIX e XX) tem se caracterizado sobretudo por um privilégio da "consciência analítica" ou "cognitiva“.
A Idade Clássica (por volta dos séculos XVII e XVIII) , com sua característica peculiar. Com efeito, neste período dá-se um curioso “agrupamento" das quatro formas de consciência da loucura como que em duas metades, em dois domínios ou em duas regiões.
Num grupo, a "consciência crítica" e a "consciência prática" ( l a. e 2a. formas); no outro, a "consciência enunciativa" e a "consciência analítica" (3a. e 4a. formas).
A primeira região se manifesta numa forma institucionalizada que é o internamento. É a redução da loucura à sua forma "negativa", ao silêncio da exclusão.
A segunda região (reunindo as formas reconhecedora e conhecedora de consciência da loucura) é a busca da verdade da loucura que se manifesta fenomenalmente , tentando "dizer sua verdade" (4, p. 188), como “modo de presença positiva no mundo“.
Contudo, Foucault realça que semelhante "inadequação" é sempre geradora de algum mal-estar e consequentermente de um desejo de superação em direção a uma unidade almejada.
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