segunda-feira, 14 de abril de 2014

UM CONVITE À LEITURA DE FOUCAULT


UM CONVITE À LEITURA DE FOUCAULT
Nelson Matos de Noronha

Propomos, a seguir, um resumo da leitura inicial do artigo FOUCAULT: UMA INTRODUÇÃO, de autoria de Salma Tannus Muchail, publicado na edição número 3 da revista TRANS/FORM/AÇAO, em 1980.  Essa leitura foi apresentada na aula do dia 14 de abril de 2014, na disciplina Epistemologia e Metodologia das Ciências Humanas e Sociais, do curso de Mestrado, do Programa de Pós-Graduação em Sociedade e Cultura na Amazônia, do Instituto de Ciências Humanas e Letras, da Universidade Federal do Amazonas.
Destinado inicialmente a um público formado por estudantes e professores de psicologia, o artigo possui uma estrutura repartida em três momentos, destinados, respectivamente, a refletir sobre o papel de uma “Introdução” à leitura de um autor; ao exame da Introdução à Segunda Parte do livro Histoire de la Folie à l’Âge Classique; a localizar o referido livro no itinerário dos livros que Foucault havia publicado até a época de L’Archeologie du Savoir, em 1969.
Em seus comentários introdutórios, Salma T. Muchail reporta-se às reflexões de Foucault a propósito da gravidade das pretensões dos comentadores que desejam impor aos leitores uma diretriz autorizada para a interpretação de textos. Reflexões que trazem uma advertência contra o valor que se dá à autoridade do autor e que, ao mesmo, tempo, convidam os leitores a prestarem atenção mais às palavras e às frases de que se compõe o livro de que aos aspectos institucionais que chancelam a obra.
Na análise da Introdução à Segunda Parte de Histoire de la Folie, a articulista descreve as formas de consciência da loucura tais como estas foram apresentadas nesse livro, destacando suas características, suas articulações e as maneiras pelas quais elas surgiram no devir histórico da sociedade ocidental. Este momento encerra-se com a análise da experiência da loucura na Idade Clássica, considerada por Foucault como fundamental para o entendimento da maneira pela qual surgiu a experiência da loucura da Modernidade, isto é, aquela que vigorou nos séculos XIC e XX.
Finalmente, no terceiro momento, Muchail mostra como o referido livro é menos uma história da loucura, considerada como um objeto único, homogêneo e regular para os historiadores tradicionais, do que a história da diversidade e da descontinuidade das experiências da loucura no Ocidente. Ele tem, como uma espécie de contraponto, o livro As palavras e as Coisas uma arqueologia das Ciências Humanas, que Foucault publicou em 1966 e que foi um sucesso de vendas. O primeiro foi dedicado a analisar nossas relações com o “outro” no espaço institucional da ordem, dos gestos e das representações ao passo que o segundo foi destinado a nos mostrar como, no solo da linguagem, reiteramos nossa experiência do mesmo, a despeito das rupturas do espaço do pensamento que incidem sobre a cultura no devir da história. Em todo caso, a loucura e a linguagem surgem nesses escritos como campos de experimentação dos limites de nosso pensar, das condições de nosso agir e das possibilidades de nossa sensibilidade.

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