A aula da disciplina de Epistemologia e Metodologia das Ciências Humanas e Sociais do último dia 14 de Abril , ministrada pelo Professor Nelson Noronha, nos propocionou grandes descobertas e indagações. Durante séculos, pensar sobre o que de fato venha a ser a loucura se tornou motivos de estudos e pesquisas. Para os filósofos gregos Sócrates e Platão a loucura era tida como algo divino. Mas como sabemos, outras épocas vão surgindo e conforme os interesses das classes dominantes de cada época a exclusão pelo que me parece sempre existiu, sempre foi o mecanismo de defesa do sistema dominante. A lepra foi uma das doenças que assolava as sociedades medievais e assim, essa "sociedade correta" passou a repugnar os doentes utilizando métodos radicais, como a prática do exorcísmo ou queimando seus corpos. Hoje não tenho dúvida de que o processo de Exclusão/Inclusão é bem mais antigo do que eu imaginava, pois hoje somos exatamente o produto dessa sociedade que durante séculos atrás, criou a delimitação dos espaços, onde loucos, doentes ou aqueles que não se adaptavam às "normas da sociedade" passaram a viver fora dos muros de onde viviam os razoáveis e civilizados. Bom, voltando a discussão sobre o texto FOUCAULT: UMA INTRODUÇÃO da autora Salma Muchail, foi possivel perceber que a autora buscou proporcionar ao leitor uma compreensão do qual talvez não seja possível com tanta facilidade fazer diretamente da obra de Foucault. Eu particularmente li duas de suas obras, entendi talvez o que mais me chamou a atenção, porém, no geral o que consigo extrair de todas essas discussões apresentadas pelo pensador é que as relações de poder sempre predominaram numa relação desigual, que não importa em qual momento da história viveremos, as relações de poder são predominantes não somentes como foi no passado na forma de como a sociedade buscou "tratar"a loucura, mas da forma de como até hoje a sociedade continua com uma exagerada aversão à loucura e aos que agem fora dos padrões da sociedade contemporânea.
Obrigada pela sua aula Prof. Dr. Nelson Noronha, sem dúvida as discussões em sala, mexeu com o nosso juízo. Boa tarde a todos(as)
Michelle Souza

Já li o livro do Michel Foucault e muito bom e bastante interessante que fala sobre a historia da loucura. e agora vim aqui fazer uma visita e li também o que vc escreveu muito bom!
ResponderExcluiroi
ResponderExcluirBetilsa... aceita o convite para entrar no blog... seu nome ainda nao está aparecendo aqui...
ExcluirEstava testando, não estou conseguindo postar! não publica ainda não
ResponderExcluirLouco, eu?
ResponderExcluirA visão da medicina e da sociedade sobre pacientes mentais evoluiu muito nos últimos anos. Mas uma pergunta continua sem resposta: qual é a linha que separa a lucidez da loucura?
por Bárbara Soalheiro
David Rosenhan resolveu fingir-se de louco. Em 1972, ele se dirigiu a um hospital psiquiátrico americano alegando escutar vozes que lhe diziam as palavras “oco” “vazio” e o som “tum-tum”. Essa foi a única mentira que contou. De resto, comportou-se de maneira calma e respondeu a perguntas sobre sua vida e seus relacionamentos sem mentir uma única vez sequer. Outros oito voluntários sãos fizeram a mesma coisa, em instituições diferentes. Todos, exceto um, foram diagnosticados com esquizofrenia e internados.
Assim que foram admitidos, os pacientes passaram a agir normalmente. Observavam a tudo e faziam anotações em suas cadernetas. No começo, as anotações eram feitas longe do olhar dos funcionários, mas logo eles perceberam que não havia necessidade de discrição. Médicos e enfermeiros passavam pouquíssimo tempo com os pacientes e nem ao menos respondiam às perguntas mais simples. “Apesar de seu show público de sanidade, nenhum deles foi reconhecido”, escreveu Rosenhan no artigo On Being Sane in Insane Places (“Sobre Ser São em Locais Insanos”), publicado na conceituada revista Science, em janeiro de 1973. Ironicamente, os pacientes reais duvidavam com freqüência da condição dos novos colegas. “Você não é louco. Você é um jornalista ou um professor checando o hospital”, disseram diversas vezes.
Os pacientes estavam certos. Rosenhan era mesmo um acadêmico e sua internação, assim como a dos outros voluntários, era parte de um estudo pioneiro para avaliar a capacidade médica de diagnosticar distúrbios mentais. Hoje, ele é professor emérito das Faculdades de Psicologia e Direito da Universidade de Stanford.
Os falsos pacientes foram mantidos nos hospitais por períodos que variaram de 7 a 52 dias. Foram medicados (assim como boa parte dos internados reais, eles escondiam as pílulas sob a língua e as jogavam fora quando já não estavam mais na presença dos funcionários) e liberados com o diagnóstico de “esquizofrenia em remissão”, uma expressão médica usada para dizer que o paciente está livre dos sintomas.
Já de volta à sua identidade real, os pesquisadores requisitaram os arquivos sobre suas estadas nos hospitais. Em nenhum dos documentos havia qualquer menção à desconfiança de que estivessem mentindo ou que aparentassem não ser esquizofrênicos. A conclusão que David Rosenhan escreveu para o estudo desconcertou a psiquiatria americana. “Agora sabemos que somos incapazes de distinguir a insanidade da sanidade.”
http://super.abril.com.br/saude/louco-eu-445561.shtml